segunda-feira, 26 de abril de 2010

Castro


Estive pensando, e pensar, na maioria das vezes, me faz mal.
As incógnitas, que rodeiam essa minha pequena e tão complexa vivência, me enlouquecem a cada amanhecer. Não saber o que será do dia é normal, mas não tenho conhecimento do Eu que luta aqui dentro, e, por isso, não sei, ao menos, o que será de mim daqui dez minutos.
Uma louca inconstância que me toma conta e me correi plenamente, me fazendo levar todo amor e compaixão, que me são oferecidos, para um canto que não sei onde se situa, nem se existe.
Em todo despertar uma nova questão, um novo desejo, uma nova luta. Um querer de não poder, um fazer sem perceber, um desejar sem existir.
Umas loucuras extremistas e absurdas, que surpreendem a mim mesma. Idéias insanas e utópicas, vazias de qualquer realidade proporcionada pela existência. Palavras que se misturam, como a massa de um bolo, tornando-se unificadas, sem inicio, nem fim, sem explicação, nem sentido, sem vírgula ou exclamação.
Humores que se contradizem em frações de segundos, palavras que se cancelam num piscar de olhos. Amor súbito e inconseqüente tornando-se amor em apenas 32 passos.
Desculpas repetidas e desgastadas se misturam com olhares de perdão e de pedido, palavras afiadas mesclam, junto a si, silêncios macios e saborosos. Um paradoxo constante e exacerbado cheio de álcool e lucidez, repleto de lua e sol, de música e silencio, de horas e momentos.
Findando meu louco e “bendito” pensamento, me fica um desejo de mudar. Desejo esse, que logo passa, mudar o Ser que em mim habita, seria não ser mais Eu, e, então, seria uma nova crise, novos pensamentos, e eu teria que, novamente, adaptar-me às minhas complexidades, pelas quais, hoje, já convivo com compreensão, pelo menos.

Camila Castro

domingo, 25 de abril de 2010

Nossos dias


O fazer não é visto
perto do não feito.
O dizer não é ouvido
perto do não dito.

O amor se devora
e, aquilo que sentimos,
por um instante, demora
e omite o que não ouvimos.

Um olhar desesperador
acompanha o mal entendido.
E, junto com a minha dor,
o desejo parece perdido.

Quizá o amanhã desapareça com este maldito,
e o olhar mais belo novamente me complete.
O dia não será mais esquisito,
e seu sorriso tudo aquilo que me submete.


Camila Castro

domingo, 4 de abril de 2010


Um nada cabível no tudo,
Disse-me que o ontem passou.
Por alguns instantes, pus-me mudo,
Como assim o ontem acabou?

Um algo cabível numa caixa,
Disse-me que o hoje já chegou.
Um sorriso esboçou-se em meu rosto,
De fato, a esperança não terminou.

Um tudo que em nada cabe,
Disse-me que o amanhã ainda não se criou.
Como louco, pus-me a gritar,
Ufa! Posso ser o que ainda não sou!