
Ante ao peito suado e comprimido,
em nós, no nada que somos,
de longe, o tudo que fomos,
uma noite passada de nossa libido.
E, tato após tato,
nas pontas de meus dedos
fugindo de mim e de seus medos,
seu corpo se contorce ao desacato.
Num desejo de sentir o sentido passado,
os olhos cruzam-se ao meio
e as bocas tocam-se sem receio,
no longínquo de um corpo tocado.
Em tudo que vem de nós,
o dilatar da pupila,
o prazer todo posto em fila
e o que vem antes do que vem após.
Não cronometrado, nem esperado
o que se passa é real,
longe ou perto de ideal,
simples, lindo e amparado.
Camila Castro