quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Inconstância!


No meio da minha bagunça
memórias no meu peito surgem,
desejos o meu peito aguça,
e, de raiva, os meus dentes rugem.

Passos longos e curtos mesclam,
numa intensidade mais que impalpável,
felicidade e tristeza,
tudo num ser bem amável.

Numa voz louca e rouca,
desprendo dor e sentimento,
entretanto, me vejo meio oca,
e, disso, eu realmente lamento.

Cinza e azul alternam lá no céu.
Num pico maluco e inconseqüente,
deixei desperdiçar o meu mel,
desculpe, as vezes, a gente mente.

Esqueci tudo,
lembrei de ti outra vez.
Louco esse meu mundo,
vou aposentar-te por invalidez!

Camila Castro

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Embargo


Escondendo o fogo,
te busco e apago.
Desejo seu jogo,
e na lua me afago.
Uma bebida lhe trago,
um cigarro lhe pago.
mas, o olhar amargo
tornou-se o infeliz embargo!

Camila Castro

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Meu coração!


Meu coração pula!
E, numa satisfação mútua,
meu desejo é apenas ser tua.

Meu coração sorri!
E, numa noite quente,
não quero nada que nos atormente.

Meu coração te ama!
E, no instante que segue,
quero apenas que você me pegue.

Meu coração grita!
E, no molejo do teu quadril,
me faz feliz mais que a dois mil.

Por fim,
Meu coração se entrega!
E, em teus braços se apega,
como a uma linda canção de ninar.


Camila Castro

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Palavras do meu silêncio!


E os olhares não se cruzaram
em meio a multidão perdida.
Numa solidão muito mais que ardida,
aqueles passos me amedrontaram.

E longe do tom explicador,
pela boca lâmina lhe saia.
Lançava ali mesmo por onde ia
todo sentimento meu ameaçador.

Outrora um sorriso lhe iluminava.
E, num momento de amor, todo assim...
logo depois lhe açoitava.

Num adeus, que não para mim,
mais uma palavra eu esperava.
Palavras de um silêncio muito maior que o próprio fim.

Camila Castro

domingo, 20 de setembro de 2009

De volta ao Coelho


Ouço vozes ao fundo...
Atrás do meu pensamento,
ouço vozes do mundo.

Certo seria entender.
A cabeça cansa,
e só faço esquecer.

Entre a química e a história,
palavras ao vento me passam...
O certo é que isso não é vitória,
não importa o que as pessoas façam.

A ignorância assola a vida.
Diminutivo se torna meu nome.
Burrice toda adquirida,
conhecimento todo que me some.

Deixe-me voltar ao Coelho,
buscar a história,
e tentar não ser mais um pente
lho!

Camila Castro

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ignoro!



Num mundo distante,
meu pensamento se perde.
Posando naquele stand,
a infantilidade me impede.

Entre as caras sujas de medo,
corro a caneta no papel.
Eu ainda não entendo,
quero saborear o seu mel.

Porta retrato de desocupados,
notícia de idiotas.
Nossos dias nunca são armados,
só quero colocar minhas botas.

De olhos fechados estou.
Com um sorriso no peito,
os ignoro por onde vou.

Amar o amor,
beijar o calor.
E sentir teu fervor.


Camila Castro

Vulgaridade do meu ser!


No balanço da barca,
no entrave do amor...
Eis que surge uma marca,
uma marca de uma dor.

Na hipocrisia da caneta,
no fingimento do papel.
Poeta que não se contenta,
e se esconde atrás do véu.

Palavras de açoite e sentimento.
Faca entre seios.
Flor que surge neste momento,
loucura que surge entre os meios.

Frases sem sentido,
pensamento vulgar.
Levanta o seu vestido,
Ali é meu lugar!


Camila Castro