segunda-feira, 28 de março de 2011

Saudade



A tarde cai e, com ela, a saudade bate.
Saudade das conversas,
Saudade dos dias, da noite, do que parte.
E saudade das peripécias.

Saudade que, por definição, não se define.
Que vai e que vem num instante seguido.
Sentimento esse que dói e que torna-se sublime.
Saudade da cor e do sabor de um cheiro preferido.

Saudade da casa, da cama, da comida e do banheiro.
Saudade do som, do silêncio, da presença e do sumiço.
Saudade de tudo e de nada de um dia inteiro.
Tudo some tão rapidamente, que até parece feitiço.

Saudade sentida, mas que guardada está entre as lembranças de uma vida.
Novo começo, novas aventuras, novas DESventuras.
Em meu caminho, ainda, um pouco perdida.
Mas, tudo se resolve quando tu me aturas.

Logo tudo voltará para onde veio,
com diferenças, credibilidades, responsabilidades e,
ainda assim, um pouco de receio.

Somos todos um e, nesse todo, somos poucos.
Um amor que não se iguala e não acabará.
Porque, acima de tudo, nós somos loucos,
e o destino nos reunirá.

Camila Castro

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Entrelinhas


Me conheces tão bem,
e ainda sou um mistério pra você.
Fui tua como de mais ninguém,
e você, meio que sem perceber, sempre me lê.

Na contradição do meu ser,
você se perde e se encontra,
eu também tento me perder,
mas acabo fazendo uma afronta.

Na armadura montada por mim,
você se amedronta e enfrenta,
uma mentira sem fim,
não há armadura, fique atenta!

Meu coração carente e solitário,
te espera e deseja,
como um peixe fora do aquário,
nada é como a gente almeja.


Busca, em mim, você!
Vem pra perto, vem me ver!
Traz consigo o pra sempre,
me rapta me rouba.

É bom quando você me beija,
faz de mim a “loucura insana”
me desacredita, me ama,
e me busca onde quer que eu esteja.

Estou à sua mercê.
E, isso, não percebes,
não sou de mim, sou de você,
e, por isso, espero que um dia me leves.

Está ficando tarde,
e a tinta da caneta falha,
não farei mais alarde,
vou juntar toda a minha tralha.

O tempo passa
e talvez o tarde chegue cedo.
Isso que tento dizer,
vê se percebe, e pára de medo!


Camila Castro
14/02/2011


A última que morre!

Estive aqui logo quando chegastes
e, numa moldura quebrada,
enxerguei todos os nossos desgastes,
e vi também nossa vida desatada.

Chorei e esperneei,
pensei em tudo o que passou,
dentro de mim eu tudo espiei,
e conclui que muito nos afetou.

Longe de rimas perfeitas,
o nosso amor desandou.
Em algumas ruas bem estreitas
NADA você me declarou.

Esperei por um buquê de rosas.
Esperei por um balão de surpresas.
Esperei por uma carta de amor,
um beijo roubado e
um EU TE AMO gritado.

Esperei muito mais de você
do que o possível.
Às vezes, penso que não me vês,
nosso descaso é muito incrível.

Esperei e ainda espero,
mesmo sem esperanças no coração,
e sabendo que lá vem a decepção.

Camila Castro
14/02/2011

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Pra sempre que não acaba

Antes que me diga adeus,
quero ouvir o pular de seu coração,
sentir o suor de seu corpo e
penetrar em seu olhar.

Antes que me diga adeus,
quero tocar em sua pele,
escutar sues passos apressados e
compartilhar idéias.

Antes que me diga adeus,
vou dizer até daqui a pouco,
logo ali na próxima esquina,
a que cruza meu eterno com o seu infinito,
onde o meu coração se mistura ao seu,
os destinos se entrelaçam e se confundem...

Logo ali vou te esperar,
te olhar, te ter e dizer...
Enlaçar seu corpo no meu num pra sempre que nunca vai acabar.

Camila Castro

Solidão em dois



Senti o escurecer na distância de seu pensamento.
Fingi não perceber que meu desejo era o seu tormento.
Não quis acordar e cair em mim, saber que o final feliz foi apenas o fim.
O desejo rompido e estraçalhado, a atuação mal feita e não ensaiada, deixaram meu coração embaraçado e minha alma mal amada.
Uma carência renascida, uma carícia concebida...
Precisava apenas de uma palavra esclarecida.
A prioridade errônea matou a mim, matou você, matou e, simplesmente, morreu.
Mas, superamos e, por fim, nos amamos.


Camila Castro

Esboço

Insanidade banal e descabidaé essa que vem em minha noite.
Loucura intensa e colorida
me atrai, como um imã, para o açoite.

Desejos, pensamentos e obsessões
ligados ao fim, ao começo, exceto ao meio.
Durante a noite, me libertam de prisões
e me deixam assim meio sem receio.

Estrada esburacada e desnivelada,
destino incerto e obscuro.
De fato, me deixe sempre calada
e com vontade de romper o muro.

Esboço de si em si mesmo,
desenho mal feito da própria vida.
Esquece a luta e a deixa a esmo,
esperando o momento de ser punida.


Camila Castro

sábado, 16 de outubro de 2010

Confissões de uma noite insana


Pode-se dizer que a vida não esperada seja a vida que se deseja viver.
Não se importe com a falta de sentido, pois a insanidade liberta a utopia mais descabida, a necessidade mais necessitada e o desejo mais alucinante.
Liberte em si a esperança louca, seja a inspiração, faça aquilo que nunca esperou-se, mas jamais espere que alguém seja aquilo que se quer.
O amor nada mais é que o desejo de encontrar algo que NÃO EXISTE: a felicidade. Porém, procure, pois é a procura por esse algo que não existe que torna o viver mais belo.
Não posso dizer o que realmente quero, porque a lucidez está chegando em minha mente, e esta MALDITA me faz pensar e não quero pensar, porque o sentir é mais intenso.
Confesso que, às vezes, tenho medo de viver o que sinto, é um desvaneio tão intenso que me leva a lugares inexistentes.
Deixe-me confessar... Um confesso que não existe, sente, vive, seja, diga, ande, fere, afinal, quero dizer o que pensei, o sexo... Aquilo que reprimo se liberta da forma mais primordial, mais antiga e mais sincera. Queremos e desejamos de uma forma que libertamos tudo aquilo que queremos reprimir, é uma loucura e um sentido que parece não existir, mas uma busca que se torna constante e necessitada conforme o tempo.
Os princípios tornam-se fins, num instante que não existe, mas que desejamos que ele se torne eterno.


Camila Castro