quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Estrada certa-incerta de mim


















Nessa solidão cheia de gente,
nesse descaso tão completo,
meu coração deita e sente,
assim, silencioso e discreto.


Na estrada do futuro: incerteza.
no caminho do amanhã: convicção.
Tudo simples e posto à mesa,
tudo pleno e cheio de contradição.

Me vem o olhar profundo da lembrança
e o som distante do desejo.
Tempos bons de quando era criança,
tempos longínquos que eu ainda não vejo.

Na cabeça o peso da decisão,
no coração a dor do que se faz certo.
Então, no cheiro do SIM e do NÃO,
meu peito se torna aberto.

Com medo de tudo e de nada,
sigo gritando e calada
no silêncio do meu olhar
.

Camila Castro















sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Esperança














O nada alimenta a doce solidão.
Da vida que se viveu,
do sim, do talvez e do não,
tudo o que se achou, se perdeu.

Como num filme de fim de tarde,
meu sol se põe.
Sem quase nenhum alarde,
A tristeza se dispõe.

Em você, tudo o que eu quero.
Em você, algo que me perturba.
Assim, sem você, eu ainda te espero,
mesmo sendo esse vazio tudo aquilo que me derruba.

Em seus olhos mora meu coração.
Em suas mãos meu corpo descansa.
Ouço, com choro na garganta, aquela nossa canção,
mas, aqui, o que me segura é uma coisa chamada esperança.


Camila Castro

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A bela arte



Num quando de vez e tanto
na noite quente
e alucinada,
seu pranto me atormenta,
me enlouquece e  submete.

Nos olhos profundos e negros,
dentro do meu sentir.
No corpo a perceber,
o tato a desejar.

Um “auto de si mesmo”
no que prefere e quer,
o ser fica a esmo
sem tecer o que se é.

O tudo se torna nada
e o coração vazio está.
Sem saber o que é senti,
sem ter aonde chegar.

As vezes, paro meu canto,
alucino na cama desarrumada,
inerte no escuro da noite,
vegetando na vida calada.

Os olhares me seguem curiosos,
as palavras me buscam afiadas.
Não tenho olhos esperançosos,
tampouco a boca fechada.

Subo no salto novamente,
pinto minha cara borrada,
enceno para todo o povo
que espera a carcaça armada.

Amanhã desmorono
e depois me recomponho.
Sigo em minha atuação diária,
para não desapontar os espectadores.

Camila Castro

domingo, 17 de junho de 2012

Coincidência de nós
















Corpos nus,
despidos de pudores,
cheios de desejos e de amores,
que, assim, perto, lhe fez jus.

Tocando as curvas desalinhadas,
meus seios percorrem os teus.
Com as partes separadas,
o que é teu se faz meu.

Olhares preciosos,
numa mirada alucinante,
uma vontade de seguir adiante
desejando dias esperançosos.

Excitando o que somos,
pulsando o coração,
no rádio, nossa canção
e nos tornamos o que não fomos.

No despertar do que se foi,
o que queres se fez errado.
Num sorriso esperado
de um silencioso “Oi”.

Camila Castro - 2009

terça-feira, 3 de abril de 2012

Veterano amor


Ah se a noite fosse eterna…
estaria esperançosa e sorridente,
beijaria cada perna
e a faria longa e ardente.

Ah se o triste fosse alegre...
abriria um sorriso,
sentiria quente como febre
e lhe faria meu abrigo.

Dentro de seus braços quero estar,
sua pela macia somente sentir,
seus olhos beijar
e não lhe deixar partir.

Fique bem perto,
ouça os batimentos do meu coração,
me diga um desejo esperto
e cante a nossa canção.

Toque o meu corpo como se não houvesse depois,
deseje o desejo mais profundo,
esconda o que já se expôs
e mostre nosso amor ao mundo.

Descreva a sorte de nossas rugas,
sonhe comigo e com nós.
Vamos realizar nossas fugas,
e, por fim, ficarmos a sós.

Camila Castro

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Chega mais perto


Vem,
Chega mais perto,
olhe em meus olhos,
me dê um pouco de afeto

Eu quero o brilho entre nós,
quero sentimento,
quero que fiquemos a sós
e aproveitemos o momento.

Me abraça forte,
me deite em teu colo,
me beije, me sente,
assim, eu não lhe amolo.

Não posso com a solidão,
quero companhia e amor,
quero sim ao invés de não,
quero fugir de todo rancor.

Vem,
Chega mais peto.
Finge que me tem,
me jogue até o teto
e me tome até o além.

Camila Castro

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Corpo


Vi, de longe, seu corpo nu,
que me esperava lindo e molhado,
olhei e olhei, de norte a sul,
e, concretizei num beijo calado.

Toquei seus cabelos curtos e cacheados,
negros e macios.
Desejos sutis e desesperados,
que, de tal forma, moviam navios.

Com minha boca, toquei sua orelha,
seu pescoço e sua nuca.
Meu corpo é o que o seu espelha,
e, disso, não esquecerei nunca.

Minhas mãos tornaram-se poucas
perto da ansiedade de teu corpo tomar,
nossas vozes estavam roucas
de tanta vontade gritar.

E, como pintura,
seu corpo pairava sob o chão,
nunca vi tão bela criatura,
bem ali, no toque de minha mão.

Olhei ressentida,
beijei com medo,
saudade ferida
de um louco desejo.

Fitei seus olhos escuros,
apertei sua pele macia,
segurei escudos,
para, assim, não acabar a magia.

Mas, como o mundo não me pertence,
voltei à realidade,
e sem rima para o começo,
apenas lembro que não esqueço
dele... do seu corpo.

Camila Castro