terça-feira, 3 de abril de 2012

Veterano amor


Ah se a noite fosse eterna…
estaria esperançosa e sorridente,
beijaria cada perna
e a faria longa e ardente.

Ah se o triste fosse alegre...
abriria um sorriso,
sentiria quente como febre
e lhe faria meu abrigo.

Dentro de seus braços quero estar,
sua pela macia somente sentir,
seus olhos beijar
e não lhe deixar partir.

Fique bem perto,
ouça os batimentos do meu coração,
me diga um desejo esperto
e cante a nossa canção.

Toque o meu corpo como se não houvesse depois,
deseje o desejo mais profundo,
esconda o que já se expôs
e mostre nosso amor ao mundo.

Descreva a sorte de nossas rugas,
sonhe comigo e com nós.
Vamos realizar nossas fugas,
e, por fim, ficarmos a sós.

Camila Castro

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Chega mais perto


Vem,
Chega mais perto,
olhe em meus olhos,
me dê um pouco de afeto

Eu quero o brilho entre nós,
quero sentimento,
quero que fiquemos a sós
e aproveitemos o momento.

Me abraça forte,
me deite em teu colo,
me beije, me sente,
assim, eu não lhe amolo.

Não posso com a solidão,
quero companhia e amor,
quero sim ao invés de não,
quero fugir de todo rancor.

Vem,
Chega mais peto.
Finge que me tem,
me jogue até o teto
e me tome até o além.

Camila Castro

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Corpo


Vi, de longe, seu corpo nu,
que me esperava lindo e molhado,
olhei e olhei, de norte a sul,
e, concretizei num beijo calado.

Toquei seus cabelos curtos e cacheados,
negros e macios.
Desejos sutis e desesperados,
que, de tal forma, moviam navios.

Com minha boca, toquei sua orelha,
seu pescoço e sua nuca.
Meu corpo é o que o seu espelha,
e, disso, não esquecerei nunca.

Minhas mãos tornaram-se poucas
perto da ansiedade de teu corpo tomar,
nossas vozes estavam roucas
de tanta vontade gritar.

E, como pintura,
seu corpo pairava sob o chão,
nunca vi tão bela criatura,
bem ali, no toque de minha mão.

Olhei ressentida,
beijei com medo,
saudade ferida
de um louco desejo.

Fitei seus olhos escuros,
apertei sua pele macia,
segurei escudos,
para, assim, não acabar a magia.

Mas, como o mundo não me pertence,
voltei à realidade,
e sem rima para o começo,
apenas lembro que não esqueço
dele... do seu corpo.

Camila Castro

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

TPM


Pulso e tarde
na carta não findada
e no grito de alarde,
em minha cama desarrumada,
a noite me invade.

Com sentimentos soltos,
desejos imensuráveis,
meus olhos ficam tontos
e os cheiros inspiráveis.

Fico esquisita
e os hormônios paranoicos.
Desejo aquela vista,
ou um pouco de “ etanoicos”.

Quero você...
longe de mim,
em cima de mim...
e nunca mais lhe ver.

Quero música,
chocolate,
alma física
e desempate.

Quero alegria,
me vem tristeza.
E o que inicia,
se põe à mesa.

Gritos e sussurros...
Palavras duras
em meio aos murros,
que deixam fissuras.

Findamos com aspas,
sem desejo real
com vírgulas e reticências
ou um ponto final.

Camila Castro

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Desejo


Caminhando

e seguindo os passos,

numa noite clara de luar.

Perto do que nada foi

E longe do que ainda será.

Em mim,
você,
quis se deleitar e sentir
o que nunca se fez concreto.

me desejou,
me provocou,

E se excitou.

No calor da mente embriagada,

Seu desejo se quis realizar,

Mas, no tudo que tenho,

E no que ainda terei,
no que protejo noite após noite,

Ali está meu desejo real,

E, assim, tudo passou,
com desejo, sim!

Desejo.

E, disso, não se sobrevive.

Camila Castro

domingo, 1 de janeiro de 2012

Vem!


Vem
com brilho nos olhos
e com desejo de ser feliz.

Vem
com ansiedade
e sem medo de viver.

Vem
fazer parte do meu mundo
e fazer, do seu, meu também.

Vem
porque só assim eu posso ir
e ficar em você.

Camila Casto

Obs: Um convite para o novo ano que se inicia hoje.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Estranha noite embriagante e perigosa


Estive em lugares estranhos
e escuros,
caminhei pela noite sombria
e embriagada.

Esperei que o sol nascesse
e escutei o luar indo embora.
Pé ante pé
fui seguindo a aurora.
E, assim, displicente
e almejante,
olhei o céu e me vi em tudo,
me vi no nada
e no que estava ali.

Pensei em dar sentido
ao mundo que me rodeava,
mas esse mundo só andava
e me deixava sem abrigo.

Quis, então, findar a noite
num amanhecer longo,
claro e quente.
Sem sucesso, deparei-me
com as estrelas,
e a uma delas fiz um pedido:
-- Estrela, inebriante como és,
leve contigo a noite da minha vida,
traga-me o dia e o sol a brilhar!
A estrela, assim, riu de mim
e a noite toda dançava
ao som de minhas lágrimas.

Camila Castro