quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Seu Zé do bar da frente


Escureceu ali em frente
e, no preto do escurecido,
o mundo pleno e esquecido
foi deixado louco e doente.

Cedo a indiferença despertou,
e, cego, o seu Zé do bar da frente,
escolheu o moço demente,
que lá em cima o representou.

Esperando luz, água e comida,
ficou sentado e esperançoso.
Logo depois, um pouco rançoso,
aquela esperança estava sumida.

O bar fechou e a luz extinguiu,
os insetos comeram o feijão,
a sujeira cobriu o chão
e o gás, por sua vez, explodiu.

Seu Zé, exausto do nada que vem
foi buscar abrigo na prefeitura,
no hospital buscou a cura,
mas só recebeu desdém.


Ele, louco e enlouquecido,
puxou o gatilho na cabeça,
Ah e, antes que eu me esqueça,
Ele mal havia vivido.

Camila Castro

domingo, 14 de agosto de 2011

Descaso nosso de cada dia!



Assim como na chuva que cai,
vem contigo o furor dos céus,
e os meus que ainda são seus
param por ali como num vem e vai
de um luar sonhador e luminoso.

E, na distancia das questões,
as respostas se mostram obscuras e limitadas.
São espertas e afastadas.
São versos sem par de vossas canções.

E, como num grito de liberdade,
as músicas cantam e contam os desprazeres,
lembram, param, dizem e dão continuidade
para todos os vossos afazeres.

Como no pulsar de uma revolução,
os olhares param e perseguem,
observam uma ação,
e saúdam como um bravo: “PEGUEM”.

Os olhos da mente estão vendados.
E a hipocrisia que vos dão é preta e intensa,
a vulgaridade e a ignorância imensa
são motivos para não mais jogar os dados.

Num mundo perdido de todos vós,
eu olho e me decepciono,
mas não mais me emociono,
afinal, estão todos a sós.

E eu, como vós, vendei os olhos,
atei as mãos,
calei a boca e morri.

Camila Castro

quinta-feira, 30 de junho de 2011

00:00


E pensei que tudo o que fora tinha apenas sido. Eu sei que não sei o que foi nem o que será, mas sei que nada poderá ser o que foi. Difícil entender o coração quando ele diz palavras entendidas e reconhecidas, aliás não é difícil entender o coração, o que há é a própria hipocrisia da razão para desestruturar o coração. O dia hoje está belo e interessante, começamos o que já tinha acabado, e arrumamos a nossa bagunça. Eu sinto muito e muito mesmo, mas não tudo, e sei que isso não nos prejudicará, porque minha teoria é só uma, mas não vou dizer qual. Só sei que o que foi não será mais, mas o que é simplesmente é bom e intenso, não na intensidade completa, mas na intensidade necessária. Não vamos deixar que isso nos fira, vamos ser nós e seguir no que somos num pra sempre que durará apenas o necessário, seja ele mês que vem ou próxima vida. Vamos ser o que somos, o que fomos e o que seremos, mas somente nós, sem outros, outras, aqueles ou aquelas. Nós,tipo 1+1=2. Simples e verdadeiro. Assim que deve ser, e é assim que será, porque o amor é assim, e ele é o que nos comanda, sem mais peripécias ou exigências, somente sendo e sentindo, ele toma conta e pronto, sem que mesmo percebamos. Vamos continuar nessa ignorância gostosa, e seguir a trilha desconhecida do belo, sem hipocrisia, mentira ou (des) lealdade, porque isso sim mata. Vamos amar como unidade e exclusividade, assim é mais gostoso, mesmo que seja pouco, mas o pouco as vezes é muito e significativo, até porque o muito (pra mim) é tão pouco e só você sabe disso, porque você me lê como ninguém nunca leu e isso me aguça, sabe por que? Por que eu também adoro te ler, pois as suas linhas, suas palavras e versos são desenhados como o por do sol: belo, simples e desejável, além de poder tê-lo (praticamente) todos os dias.
Vou findando meu desabafo meio alucinado, fugindo do meu padrão , até porque padrões me deixam louca e chata. Te amo, e isso basta!

Camila Castro

domingo, 26 de junho de 2011

Ei, amigos!


Ei, amigos!
Ouçam as vozes da saudade.
Ela grita em meio a seus risos,
e me lembra da beleza da nossa cidade.

Ei, amigos!
Como vai a nossa colina?
Ali era onde nos despiamos,
e entregavamos toda mina...

Ei, amigos!
Vamos marcar uma "Natasha" lá em casa?
Coisa única era o que sentiamos,
uma roupa e uma beleza que me amassa.

Ah! amigos preciosos...
Da inocência aos (des)pudores.
Destino não meu, mas nossos
cheio de sinceridade e de amores.

Quantos gritos e desavenças?
Logo o preto ficou branco.
E, de volta às esperanças,
todo o sangue eu estanco.

Cuido de vocês longe ou perto,
sinto o que sentimos.
Me torno um ser mais esperto
e me lembro como agimos.

Nos copos de vodka fica a saudade.
Eu, aqui, longe de tudo e de vocês,
volto à realidade
e à minha embreaguez.

Camila Castro

"Dedicado a Isnayane Ramos, Liliane Alves, Raul Soares e Raimundo Artur."

Meu copo


Caminhando no pôr-do-sol paradisíaco,
vodka, rum, gim e espumante.
Procurando um lugar louco e alucinante,
em minha mente obscura é que fico.

Largando tudo no chão sujo de poeira.
Poeira essa do passado e do presente,
que me faz solta e inocente,
e me lembra minha vida muambeira.

Tentando esquecer tudo e nada,
desperdiçando o tempo com baboseiras,
procuro sentido até embaixo das cadeiras,
em cima da lua ou da escada.

Resposta inexistente e inexplicável,
espero pelo dia nascido e passado,
por de trás da mentira teria ficado
um pouco sóbria e impalpável.

Assim como no dia em que me fui,
cheguei, fiquei e não falei.
Pensei em mim e, aí, chorei
e doeu como no tombo "UI".

Aí, pensei em findar os dias,
mas findei apenas meu copo
cheio de álcool e sutileza até o topo,
e me fui como quem me ias.

Camila Castro

Longe do perto


E aí, bem assim perdida,
lúdica e achada,
tive sorrisos e belezas insanas,
um beijo no banheiro, no quarto e na cama.

Logo ali longe do perto de nós dois,
lembrei do brilho do olhar,
pensei em tudo o que viera depois
e pus-me louca a desejar.

Esperando teu corpo colado ao meu,
eu despi meu vestir de pudores,
escrevi-me um livro todo que você leu
e fiz-me nossa, cheia de amores.

Um louco desejo de felicidade
na bagunça do quarto arrumado.
Vontade de estar naquela cidade,
e o coraçao ficando apertado.

Na distância de tudo o que queremos,
nós ficamos e vivemos.
Amamamos e completamos,
eu e você, aqui bem perto.

Camila Castro

segunda-feira, 28 de março de 2011

Saudade



A tarde cai e, com ela, a saudade bate.
Saudade das conversas,
Saudade dos dias, da noite, do que parte.
E saudade das peripécias.

Saudade que, por definição, não se define.
Que vai e que vem num instante seguido.
Sentimento esse que dói e que torna-se sublime.
Saudade da cor e do sabor de um cheiro preferido.

Saudade da casa, da cama, da comida e do banheiro.
Saudade do som, do silêncio, da presença e do sumiço.
Saudade de tudo e de nada de um dia inteiro.
Tudo some tão rapidamente, que até parece feitiço.

Saudade sentida, mas que guardada está entre as lembranças de uma vida.
Novo começo, novas aventuras, novas DESventuras.
Em meu caminho, ainda, um pouco perdida.
Mas, tudo se resolve quando tu me aturas.

Logo tudo voltará para onde veio,
com diferenças, credibilidades, responsabilidades e,
ainda assim, um pouco de receio.

Somos todos um e, nesse todo, somos poucos.
Um amor que não se iguala e não acabará.
Porque, acima de tudo, nós somos loucos,
e o destino nos reunirá.

Camila Castro